Estamos a viver uma fase de grandes desafios em várias frentes, com muitas mudanças que exigem uma significativa capacidade de adaptação de todos os stakeholders.

O ano de 2020 foi, em todos os setores de atividade nacional e internacional, marcado pela situação epidemiológica provocada pelo SARS-CoV-2. Neste contexto particularmente difícil e complexo, a Algar, conseguiu adaptar-se e reinventar-se no sentido de dar uma resposta concertada às novas necessidades das populações e Municípios servidos e, simultaneamente, reforçar o foco na proteção da saúde e segurança de todos os seus trabalhadores.

 

Na área da regulação, este foi o primeiro ano em que o regulador fez a apreciação prática das decisões tarifárias do período regulatório 2019/2021, muito embora os resultados fossem conhecidos em relação ao ano de 2019, exercício no qual se verificaram significativos prejuízos.

 

A principal consequência destes prejuízos avultados traduziu-se na impossibilidade da Algar, como aliás também das restantes empresas do grupo EGF, poderem desembolsar os valores já contratados num crédito junto do BEI para o financiamento do seu plano de investimentos. Outra consequência relevante foi o início de um longo e intenso trabalho com a ERSAR para apuramento e análise das causas de prejuízos regulatórios tão significativos, que teve como resultado uma revisão dos custos de referência de 2019 e 2020, integrado no processo regulatório de ajustamento das contas reguladas reais de 2019, com impacto no resultado do ano 2020.

 

A recolha seletiva multimaterial, na sequência da operacionalização em 2019 dos investimentos muito expressivos nesta área, continuou a sua rota de crescimento, tendo aumentado a acessibilidade de recolha seletiva na região algarvia. Há a destacar que em 2020, foram colocados à disposição da população mais 350 contentores, sendo que nos últimos três anos o aumento de contentores instalados foi de mais 30%, refletindo o maior crescimento da história da empresa. Não obstante o referido, em 2020, verificou-se um decréscimo nas quantidades provenientes desta atividade em -10% face ao ano anterior, resultado da ausência de turismo na região. Durante o ano 2020, e no âmbito do esforço coletivo a que o país foi chamado por efeito situação epidemiológica, a Algar efetuou 30.413 mil lavagens e desinfeções aos equipamentos de deposição seletiva disponibilizados à população, o que fez com que cada contentor fosse intervencionado em média, 2,4 vezes, seguindo as indicações dadas pelas autoridades.

 

Quanto ao tratamento de resíduos, a pandemia deixou igualmente a sua marca na atividade da Algar, que, seguindo as orientações conjuntas da APA, ERSAR e DGS, interrompeu o processamento de RU na sua unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) no dia 18 de março, tendo sido retomado apenas no dia 6 de junho. Esta interrupção teve impactos operacionais ao nível do desempenho do processo biológico, ao nível da energia elétrica produzida bem como dos recicláveis separados e do corretivo orgânico produzido. Nesse período, todos os resíduos indiferenciados recolhidos pelos Municípios foram conduzidos diretamente para o aterro sanitário, cumprindo todos os requisitos ambientais e de segurança e saúde.

 

Em relação aos resíduos embalagem, registámos constrangimentos operacionais, relacionados com a reduzida capacidade de armazenamento, em virtude da necessidade de quarentena de 72 horas para os resíduos provenientes da recolha seletiva, o que aumentou de forma significativa os riscos de incêndio e condicionou de modo negativo o normal funcionamento das unidades de Triagem.

 

Por outro lado, a identificação de grupos de risco entre os colaboradores resultou na diminuição do número de operacionais disponíveis, situação que teve impacto imediato nas atividades de recolha seletiva, triagem e transferência (transportes).

 

A comunicação com o cidadão também merece relevância em 2020 – o investimento feito pelas empresas, cofinanciado pelo POSEUR, permitiu concretizar campanhas massivas e de informação à população sem precedentes na história da Algar, e da EGF, com resultados muito positivos na promoção de comportamentos ambientais adequados por parte dos cidadãos e, em consequência, na notoriedade positiva da empresa.

 

Apesar das adversidades sentidas em 2020, que desafiaram todas as áreas, a Algar renovou a sua certificação segundo os referenciais ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 tendo sido efetuada a transição para o referencial ISO 45001:2018.

 

Sobre investimentos futuros, é de salientar o trabalho de preparação do Plano de Investimentos para o próximo ciclo regulatório, no qual se destaca a construção de uma nova unidade de triagem, composta por uma linha de triagem para embalagens de plástico, metal e ECAL (embalagens de cartão para alimentos líquidos), com uma capacidade de 7 t/hora e uma linha para papel/cartão de 15 t/hora, que servirá os 16 concelhos que compõem a região do Algarve.

 

A terminar, deixo um agradecimento especial a todos os trabalhadores, acionistas, municípios, entidades parceiras e autoridades, pela coragem e determinação com que enfrentaram connosco os desafios deste ano particularmente difícil e em que todos fomos postos à prova.

Luis Masiello Ruiz Presidente do Conselho de Administração